BOLA. Uma das coisas que mais entretém as pessoas.

07 junho, 2006

Os Incríveis de Portugal

A nível europeu Portugal é das equipas a quem acontece das coisas mais incríveis mais vezes. Não vamos começar por falar de Saltillo, que isso já foi há 20 anos e há muitos momentos incríveis de 1996 até hoje.
Vamos começar no dia 31 de Agosto de 1996 em Yerevan, na Arménia. Portugal jogava o primeiro encontro de qualificação para o Mundial'98. O jogo arrastava-se para o fim com um teimoso 0-0. Até que há um penalti a favor de Portugal. Oceano falha e Portugal, nove jogos depois, acaba a qualificação a um ponto do 2º lugar que daria acesso ao play-off.
Setembro de 1999. Azerbeijão-Portugal, a contar para o apuramento do Euro 2000. Portugal tinha ganho em casa 7-0. Perto do fim da primeira parte, a luz vai abaixo no estádio. Alguns minutos depois, a luz voltou, mas Portugal, indignadíssimo, recusou-se a continuar o jogo, ficando este adiado para o dia seguinte. Nos primeiros minutos da 2ª parte, o Azerbeijão marca, surpreendendo os incríveis portugueses! Os azeris quase que ganhavam, mas Figo, a minutos do termo, lá garantiu o empate, num jogo que poderia ter sido jogado no dia anterior, e quem sabe se Portugal teria ganho.
Mas Portugal até chegou à meia final desse Euro 2000. Em Bruxelas, contra a França, o jogo estava no prolongamento com 1-1. Nisto, há um cruzamento da direita do ataque francês, e Abel Xavier - esse, o da barba loira - desvia a bola para canto, caindo no chão em seguida. O árbitro marca penalti, grande sururu, jogadores a rodear o árbitro, e Zidane, alheio ao que se passava, ajeitava a bola na marca de penalti. Na repetição foi possível ver: Abel Xavier dera um toque subtil com a mão. Resultado: Portugal perdeu 2-1, Abel Xavier, Nuno Gomes e Paulo Bento foram castigados por uns meses por tentarem atacar o árbitro. Enfim... E lá foi Portugal, triste e cabisbaixo, à procura da glória perdida.
Em Novembro de 2001, Portugal jogou um amigável com Angola, que de amigável teve pouco. O jogo terminou aos 68', com 5-1 para Portugal, após quatro angolanos terem sido expulsos e um ter saído (supostamente) lesionado. Mas foi claro que a intenção era acabar por ali.
A glória surgiu com a qualificação para o Mundial 2002. Lá vamos nós! Mas foi um Mundial desgraçado... Logo nós que íamos ser (ou já éramos) campeões do mundo. Depois de Magriços, Patrícios e Infantes, eis que alguém nos nomeou Tugas. Ora bolas, Tugas!? Assim foi. A desgraça continuou com o jogo de preparação com a Finlândia, no Bessa, que Portugal perdeu por 4-1 e o Simão deu cabo do joelho, com o estágio de Macau, onde houve jogadores a reivindicar prémios de jogo isentos de impostos - o novo Saltillo - e o pobre Kenedy acusou doping e teve que voltar a Lisboa. No entanto, a final com o Brasil estava ali ao lado, não fosse os Estados Unidos se terem esquecido disso e posto a ganhar 3-0 ao fim de meia hora. Ciente do erro, Jeff Agoos ainda marcou na própria, e os famigerados Tugas fariam ainda o 3-2. Depois, uma vitória sobre a Polónia, e um jogo crítico com a Coreia a valer os oitavos de final.
E foi aí que os Portugueses voltaram a ser incríveis. Sem saberem bem se era preciso ganhar ou apenas empatar, por volta dos 25 minutos, João Pinto tem uma entrada dura e o árbitro Ángel Sánchez expulsa-o. Irado, o menino de ouro dá um soco na barriga do pobre árbitro. Ainda antes de se saber que João Pinto iria de castigo por uns meses, ao intervalo do jogo, ainda com 0-0, constou-se que Figo, o capitão Tuga, pediu aos coreanos para se deixarem empatar, porque o resultado convinha às duas equipas. Mas Figo já não domina muito bem o idioma coreano, e não se deve ter feito entender bem, pois a Coreia marcou mesmo, e seguiu triunfante até ao 4º lugar, acompanhada dos Estados Unidos, que levaram um banho de bola da Polónia (3-1), e mesmo assim passaram. À chegada a Pedras Rubras, houve barulho e insultos, mas os Tugas acabaram por ir para a cova da mesma maneira que apareceram: sem ninguém se aperceber, deixando para a posteridade um dos melhores Mundiais de sempre... nem a equipa que escreveu a Herman Enciclopédia se lembraria de uma história tão hilariante.
O texto já vai longo, mas ainda há dois momentos que vale a pena relembrar. O primeiro passou-se em Outubro de 2004, em Vaduz, capital do pequeno estado do Liechtenstein. Portugal jogava uma partida de qualificação para o Campeonato do Mundo, frente à equipa nacional de um pequeno Estado de 30 mil habitantes, a quem Portugal nunca vencera por menos de 5-0. Ao intervalo, Portugal vencia por 2-0, com um golo de Pauleta e um brinde de Hasler. Tudo parecia encaminhado para mais uma goleada, mas o incrível aconteceu. O Liechtenstein chegou ao empate!!! Em partidas oficiais (desde 1994), só por uma vez o Liechtenstein havia marcado dois golos. E lá houve júbilo, após esse empate histórico. Mas o (verdadeiramente) incrível Liechtenstein voltaria a atacar. 364 dias depois, em 8 de Outubro de 2005, Portugal tinha que vencer os simpáticos cavalheiros daquela equipa para se apurar para o Mundial. A coisa esteve preta, o Liechtenstein chegou ao intervalo a vencer por 1-0 (situação inédita, creio eu), mas o mais incrível não foi isto. Durante o primeiro tempo, num lance de insistência, com o guarda-redes Jehle nas covas, um jogador português remata para o que seria o 1-0... não fosse a reedição da famosa mão de Deus, mas ainda mais escandalosa que a de Maradona 19 anos antes... um defesa, que até nem era muito alto, salta, de braço erguido, e desvia a bola para canto. Penalti e expulsão? Não, nada disso! O árbitro, o senhor Gilewski, marcou efectivamente canto! Incrível. Só mesmo com Portugal. Os lusos venceriam, à rasca e sem brilho por 2-1, mas o Alemanha 2006 estava ali ao virar da esquina.
Faltam poucos dias para começar o Mundial. E quem sabe se Portugal protagonizará outros momentos incríveis para a colecção. O último Mundial foi pródigo em grandes momentos...