BOLA. Uma das coisas que mais entretém as pessoas.

20 julho, 2006

O Regresso do Matador

Seis anos depois, quando nada o fazia prever, eis que ele está de volta. Falo de Jardel, o homem que marcou mais de uma centena de golos nas seis temporadas que passou em Portugal - quatro no FC Porto, entre 1996 e 2000 e duas no Sporting de 2001 a 2003.
Em 2000/01 Jardel andou a causar estragos na Turquia com o Galatasaray, onde venceu a Supertaça Europeia marcando o golo da vitória sobre o Real Madrid, mas, depois da passagem pelo Sporting, onde marcou 42 golos em 2001/02, foi o descalabro. Engordou, sempre que ia para o Brasil demorava a regressar, a esposa deixou-o, e até se falou que deu um tralho na piscina da sua casa no Brasil, cortando o joelho numa faca que estava no chão. Depois passou por Bolton, Ancona, Newell's Old Boys, Palmeiras, Alavés e Goiás - sim, seis equipas em três anos - sempre sem recuperar a glória que conheceu por cá.
O Beira-Mar deu-lhe mais uma oportunidade. E é aqui que nascem as interrogações. Que Jardel veremos em 2006/07? O Jardel das desgraças ou o mítico Jardel? Vontade não lhe deve faltar, apoio dos adeptos também não. Apoio dos próprios colegas de equipa decerto também terá. Tudo se conjuga para que o matador que tantas alegrias deu a dragões e leões possa alegrar os aurinegros ainda na ressaca da subida.
No entanto, o brasileiro terá contra si alguma pressão resultante das expectativas da estrutura directiva dos aveirenses. O Beira-Mar aponta para um regresso em grande, e Jardel é a aposta mais forte. Não só em termos desportivos, mas também em termos estratégicos. Apesar das peripécias em que se meteu quando jogava no Sporting, Jardel goza de um bom crédito junto dos adeptos portugueses, o que pode atrair mais gente para ver os jogos do Beira-Mar, que nos últimos anos tem primado pelas fracas assistências aos seus jogos.
Jardel pediu alguns jogos para entrar no ritmo, e caso marque nos primeiros encontros, o Beira-Mar pode ser um caso sério na época que vai começar. No dia 27 de Agosto Jardel vai começar a acertar umas contas antigas com as balizas. Assim se espera.

O Esquecimento

Pois... quando falava dos melhores jogadores do Mundial esqueci-me de um.
Lahm (Alemanha): lateral esquerdo de vocação ofensiva, foi uma dor de cabeça para as defesas que se cruzaram com os Panzers. Marcou um grande golo no jogo de abertura e esteve em destaque nas outras partidas em que actuou. Tem um grande futuro à sua frente.

12 julho, 2006

Será que vale a pena?

Feitas as contas, dos 64 jogos do Mundial vi em directo 48. Passei 72 horas (mais ou menos, houve jogos que não vi desde o início) da minha vida sentado em frente a uma televisão a ver futebol, e umas horas mais à espera que começasse o jogo seguinte. No final dos jogos, a frase que mais vezes me lembro de pensar foi: "que porcaria de jogo". Com o avançar da competição comecei a pensar que este Mundial estava fraco.
Por isso, um mês de bola depois, será que valeu a pena ter estado tanto tempo a ver jogos entre equipas que tendiam sempre a jogar no erro do adversário, sem atacar muito, sem arriscar, sem que os principais nomes resolvessem os jogos sozinhos em uma ou duas jogadas? Ao longo dos mais de 30 meses que durou a qualificação, vão-se criando expectativas, aguarda-se a hora das grandes decisões, e, no final, os 32 que chegam ao Olimpo do futebol defraudam. Pelo menos os 32 de 2006 defraudaram. Vi Portugal, França, Itália, Inglaterra, Argentina e Brasil jogarem todos da mesma forma. Defender muito, talvez até demais, e ficar à espera de qualquer desastre adversário. Não vi um jogador que se destacasse sobremaneira em relação aos demais. Não houve uma equipa claramente superior às outras. E não houve daqueles jogos de Mundial à moda antiga, com muitos golos, muito ataque e emoção, ou então com um(ns) jogador(es) brilhante(s) a levar a sua equipa às costas, tipo Maradona'86, Pelé'70, Romário/Bebeto'94 ou mesmo Rossi'82. Nada disso. Jogos muito parecidos, quase todos saídos da mesma linha de montagem.
Houve, isso sim, muita discussão sobre as arbitragens, que sempre pareceram manhosas, dispostas a assinalar aquele penalti forçado e a proteger quem interessava à FIFA, deixando uma péssima imagem da classe do apito.
Viram-se muitos e bons golos, grandes golos, aliás. Mas que não disfarçam a fraca qualidade dos jogos. Será que foram todos grandes golos ou que a inovadora bola Teamgeist tem mesmo poderes ocultos que lhe alteram a trajectória? Eu acho que as duas estão correctas. Foram grandes golos, trajectória alterada ou não.
Mas a FIFA tem que pensar bem no que é melhor para a imagem de um desporto como o futebol. Chegar aos quartos de final com os oito do costume, mesmo que seja preciso levá-los ao colo, ou lutar sempre pela verdade desportiva? Definitivamente, acho que a melhor via é a da verdade desportiva, porque obriga a que as equipas se esforcem para vencer, provoca surpresas e traz uma imagem de transparência e justiça que só fica bem no futebol e abona muito a favor da própria instituição FIFA.
Próxima paragem: África do Sul 2010.

10 julho, 2006

Alemanha 2006 - o que eu achei

Mais um Mundial que termina, desta vez com a vitória da Itália, 24 anos depois do último título. Mas este Mundial não vai deixar saudades, pelo menos entre quem gosta de futebol espectáculo. A maior parte dos jogos foram defensivos, por vezes mal jogados, com as equipas a demonstrar medo de arriscar. Salvo algumas excepções, claro, mas já lá vamos. Isto é o reflexo do negócio em que o futebol se tornou, em que o importante é não perder.
Mesmo assim, como em todos os Mundiais, sobram bons momentos que se adicionam à rica história da prova mais apetecida do futebol mundial.
Para já, vamos escolher os mais e os menos de um mês de futebol em terras germânicas.
MELHOR FUTEBOL:
GANA: Parecia que tinham posto uma dúzia de pães dentro das balizas, tal era a vontade com que os black stars atacaram em todos os jogos. Com a Itália, mesmo a perder 2-0, o ataque foi uma constante. Com os checos foi uma enxurrada atacante como há muito não se via. Tal repetiu-se com o Brasil, que só não perdeu por manifesta falta de sorte dos ganeses, que assustaram (e muito o escrete).
ALEMANHA: mesmo com a tremideira a assaltar a defensiva em variadas ocasiões, e mesmo um pouco atabalhoada em alguns jogos, a Alemanha mostrou ter uma equipa de futuro, que sabe o que quer em campo, proporcionando jogos em que a baliza contrária era o objectivo principal. Infeliz na meia-final com a Itália, a Alemanha foi das equipas que apresentou o futebol mais atractivo.
EQUIPA DE FUTURO: Suíça. Terminou o Mundial nos oitavos de forma inglória, nos penaltis, sem sofrer qualquer golo em quatro jogos. Promete ser uma equipa mais matura em 2008, quando jogar o europeu em casa, estando a germinar talentos como Senderos e Barnetta, além de ter um avançado goleador, Frei. A Suíça é hoje a maior ameaça para o futuro. Mas Portugal também parece ter um futuro auspicioso à sua frente. Figo e Pauleta saíram, mas estão lá Quaresma, Cristiano Ronaldo, Raul Meireles, Hugo Viana, mesmo Zé Castro à espera da sua oportunidade de pegar de estaca. Devemos ouvir falar muito de Portugal nos próximos anos.
A DEFENDER: Portugal, Itália e França, mais que a Suíça. Estas três equipas sabem defender como ninguém, fechando muito bem os caminhos das suas balizas.
MELHOR JOGADOR: Não creio que tenha havido úm jogador a destacar-se sobre todos os outros. Houve, isso sim, vários que deixaram a sua marca:
Cannavaro (Itália): uma parede a defender. Um dos principais motivos por que a Itália venceu a competição.
Zidane (França): depois de ter estado apagado nos grupos, renasceu na fase a eliminar, para conduzir a França até à final. Aos 34 anos, demonstrou uma classe notável. Pena aquela marrada no italiano na final, nada digna de um jogador da grandeza de Zizou.
Kawaguchi (Japão): O guarda-redes japonês, mesmo elimindo na primeira fase, defendeu um penalti contra a Croácia e efectuou grandes defesas em todos os jogos, impedindo muitos golos contra os nipónicos. No seu primeiro Mundial a titular, cotou-se como um dos melhores guardiães do torneio.
João Ricardo (Angola): O mesmo que Kawaguchi, mas com muito mais trabalho. Defesas para todos os gostos da parte de um guarda-redes sem clube, e que terminou a carreira da maneira que menos esperava: a defender o seu país num Mundial.
Maxi Rodríguez (Argentina): a revelação da albiceleste. Batalhador, oportuno, assinou um golo de bandeira contra o México.
Ricardo Carvalho (Portugal): um mestre a defender. Fez cortes fantásticos em todos os jogos, contribuindo para a eficácia defensiva de Portugal. Sem ele, a Alemanha marcou três golos no jogo de consolação.
Miguel (Portugal): Excelente lateral, com garra e pulmão, defendeu muito e ainda teve tempo de atacar, muitas vezes com perigo.

Haveria espaço para mais, se me ocorrer mais algum, um texto futuro reparará o esquecimento.

PIOR JOGADOR:
Crouch (Inglaterra): É grande, mas não é grande coisa. Muito alto, mas muito desajeitado, precisa de falhar 10 bolas até marcar um golo. Rooney deve ter levado as mãos à cabeça nos jogos em que o gigante o substituiu.
Pauleta (Portugal): o melhor marcador de sempre da Selecção portuguesa, com 47 golos, 90% dos quais contra adversários mais fracos que o Kuwait e Cabo Verde (ou quase). Neste Mundial marcou aos 4' do primeiro jogo, contra Angola e depois... pouco mais que uma nulidade.

SURPRESA: a Ucrânia. Depois de ter sido goleada na primeiro jogo (4-0 com a Espanha), chegou mais longe que nuestros hermanos. No jogo dos quartos de final com a Itália, só baixou os braços quando os Italianos fizeram o 3-0. Deixaram boa imagem na estreia.
DESILUSÃO: Espanha. Esperava-se mais, bastante mais, assim como se esperava mais da Argentina, que mais uma vez falhou. É como eu disse no outro texto, volta Diego! E o Irão também desiludiu... tanta expectativa, tantas manifestações que se iam fazer à volta da equipa iraniana e, no final... apenas um ponto. Karimi, o Maradona da Pérsia, apareceu como o verdadeiro Maradona: em queda. Pode ser que em 2010 recupere. E, claro, o Brasil, o crónico favorito, apontado por todos como o virtual bicampeão Mundial (para os brasileiros é hexa). O chamado quadrado mágico não funcionou, Ronaldo estava gordo, Ronaldinho apagado, Robinho nem se viu. Pois... restou ficar nos quartos de final e deixar um povo com os nervos em frangalhos e a clamar, imagine-se, por Scolari, o (então ainda) Campeão do Mundo que deu o 4º lugar a Portugal.

Foi bonito ver a festa que os quatro primeiros classificados (Itália, França, Alemanha e Portugal) fizeram para receber as suas equipas no final da prova. O que mostra que nem só os vencedores merecem ser carregados em ombros. Até a Argentina fez festa aos seus heróis, mesmo eliminados nos quartos. Assim como houve festa em Angola, em Trinidad e Tobago e no Gana. E aqueles que mais festas fazem, os mestres da arte de festejar, os alegres brasileiros? Bem... esses é diferente. Se ganham ninguém os cala... se perdem, toca a malhar em toda a gente, desde o treinador até ao roupeiro. Pois... foi mais ou menos isso que aconteceu.

ARBITRAGEM: 20 cartões (16 amarelos e quatro vermelhos por acumulação) num único jogo, recorde dos Mundiais, Simunic a ser expulso por acumulação de três (!!!) (isso mesmo, três) cartões amarelos... chega! É melhor não falar mais de arbitragem. Foi triste... e é melhor não discutir penaltis. Sr Blatter, tenha vergonha na cara, e em vez de vir falar espanhol para os canais portugueses, veja se aprende a escolher árbitros.

MELHORES JOGOS:
Coreia do Sul-Togo: pelo menos houve futebol ofensivo, se bem que não tenha sido sempre bem jogado.
Portugal-Holanda: milho basto, cartões bastos, um jogo à moda antiga. A Batalha de Nuremberga.
Jogos do Gana: espectáculo garantido (e falhanços também)
Espanha-França: muita emoção e incerteza no marcador, pelo menos até o árbitro inventar a falta de que resultou o 2-1 para a França.
Itália-EUA: expulsões, auto-golos, incerteza no marcador, um jogo de Mundial à moda antiga a nível de emoção.

Enfim... podia estar aqui horas a escrever, mas já chega. Depois pode ser que escreva outras coisas sobre o Mundial 2006. O que é certo é que em 2010 há mais.

05 julho, 2006

As finais da Itália

A Itália está a criar uma espécie de tradição curiosa: vai à final do Mundial de 12 em 12 anos. Esteve na final do México'70, onde perdeu 4-1 com o Brasil; no Espanha'82 derrotou a RFA por 3-1 na final de Madrid; em 1994, nos Estados Unidos, foi desfeiteada novamente pelo Brasil, desta vez nas grandes penalidades, depois de um nulo ao fim de 12o minutos. 12 anos depois, neste Alemanha 2006, eis que atinge novamente o último jogo, para jogar com uma equipa europeia. A história diz-nos que as finais italianas - incluídas as de 1934 e 1938 - diante de equipas da Europa terminam com vitória translapina. Se a história valer alguma coisa então a squadra azzurra pode emcomendar já as faixas. Mas vencer quer Portugal ou França não é tarefa fácil. Dia 9 vê-se.

03 julho, 2006

Volta Diego!

A Argentina, pelas suas 15 participações em fases finais, nas quais se sagrou vencedora em 1978 e 1986, e vice-campeã em 1930 e 1990, tem que ser considerada favorita em qualquer prova que jogue. Ainda para mais quando a Argentina é um país que nutre uma paixão por vezes desmesurada pelo futebol e endeusa aquele que é, para muitos, o melhor jogador de todos os tempos: El Pibe Maradona. El Dios para os argentinos - ou D10s, se quiserem. O que é certo, porque para a história só contam os resultados, é que desde que Maradona se começou a preocupar com outras coisas que não o futebol, a albiceleste nunca mais conseguiu um Mundial convincente.
Em 1986 no México, a Argentina ganhou o Mundial pela segunda vez, com o brilho e a mestria que se reconhece aos campeões. O brilho irradiava de Burruchaga e Valdano. A mestria, essa, brotava dos pés de Maradona. Daí para a frente, foi a desgraça.
Em 1990 a Argentina chegou outra vez à final. No jogo decisivo a albiceleste perdeu com a RFA, na vingança de 1986, jogando, como leio numa revista da época, sem chama, sem coordenação, sem objectividade ofensiva, limitando-se a destruir o jogo adversário e à espera de mais um milagre de São Diego Maradona.
Nos Estados Unidos, no último Mundial de Maradona, ele até marcou um golo contra a Grécia, mas acusaria consumo de cocaína, sendo excluído da competição. A Argentina caiu nos oitavos frente à Roménia (2-3). Em França, com Verón, Crespo, Simeone, Batistuta e Ortega, entre outros, os argentinos eliminaram a Inglaterra nas grandes penalidades após 120 minutos muito intensos, e perderam para a Holanda nos quartos de final (1-2).
Contudo, a Argentina tocaria no fundo em 2002, ao não passar dos grupos, depois de uma vitória sobre a Nigéria (1-0), derrota com a Inglaterra (0-1) e empate com a Suécia (1-1). Um povo chorou a eliminação, mas vibrou com uma brilhante qualificação para 2006, na qual a Argentina de Pekerman se revelou dominadora e com boas perspectivas de recuperar a glória perdida.
De facto, as perspectivas para os argentinos eram muito boas. Riquelme é considerado o melhor nº10 da actualidade, Messi é um talento em fase de explosão, Tévez é um perigo, apesar da inconstância, e ainda há Ayala, Sorín, Lucho González e Aimar para qualquer emergência. Viram-se lampejos da grande Argentina de há 20 anos na primeira parte do jogo com a Costa do Marfim e na goleada à Sérvia-Montenegro. Depois das poupanças com a Holanda, um jogo tipicamente sul-americano com o México, resolvido com um golo esplendoroso de Maxi Rodríguez, e mais uma desilusão, novamente frente à Alemanha, com Ayala e Cambiasso a falharem a conversão no desempate desde a marca de 11 metros.
Antes de começar o Mundial, dizia-se que a Alemanha era um gigante adormecido. Mas parece que a história é bem diferente. O verdadeiro gigante adormecido é a Argentina, que aparenta sempre ter grandes hipóteses mas chega à hora H e falha. Nos últimos 20 anos a albiceleste venceu a Copa América em 1991 e 1993 e a Taça das Confederações em 1992. Na final da edição de 2005 desta última prova, o Brasil demoliu os seus rivais sul-americanos por 4-1, e um ano antes, no Peru, roubaram a Copa América aos argentinos no desempate por grandes penalidades.
A Alemanha parece acordar sempre que o Mundial bate à porta, mas a Argentina está num sono profundo desde que Maradona ergueu a taça na Cidade do México. Um sono com muitos sonhos, mas que teima em não despertar, nem com a presença de El Pibe na bancada.

Na Europa Mandam os Europeus

É tradição dos Campeonatos do Mundo que as fases finais disputadas na Europa são ganhas por europeus. Mesmo há quatro anos, quando o Mundial se jogou na Coreia do Sul e no Japão - a primeira vez que a prova se jogou fora da Europa ou da América -, o vencedor não foi europeu, o que reforça esta tradição. A única excepção remonta a 1958, quando o Brasil se sagrou campeão em solo sueco.
Existe um lote de equipas que se qualifica sempre para as fases mais adiantadas da prova e que, em linhas gerais, é formado por um grupo de equipas europeias mais o Brasil e a Argentina, se bem que por vezes haja equipas audazes que batem o pé aos mais fortes. Olhando para os participantes nos quartos de final dos últimos sete mundiais - desde o Espanha'82 até à presente edição, pode constatar-se um facto curioso, que aliás serve de título a este texto: na Europa mandam os europeus.
Em 1982, quando a segunda fase se jogava por grupos, participaram dez Selecções da Europa juntamente com o Brasil e a Argentina. Em 1990, em Itália, os oito apurados para os quartos de final incluiram diferenças, neste caso a cargo dos surpreendentes Camarões, que fizeram a Inglaterra sofrer para se qualificar (3-2 a.p.), e do Brasil, eliminado pela Argentina nos oitavos de final. Oito anos depois, em França, tudo voltou à normalidade (dos Mundiais na Europa): seis europeus mais Brasil e Argentina. Este ano, o mesmo aconteceu: aos seis europeus juntaram-se os clientes habituais da América do Sul... e o campeão vai ser europeu, como já acontecera em 1982 (Itália), 1990 (RFA) e 1998 (França). Curioso também o facto de estas três equipas estarem nas meias finais, juntamente com Portugal.
Para fechar, uma referência aos quartos dos Mundiais fora da Europa. Em 1986, no México, os anfitriões atingiram tal fase, juntamente com cinco selecções europeias, Brasil e Argentina. Oito anos depois, nos Estados Unidos, a tradição não foi respeitada, pois houve sete europeus mais o Brasil entre os qualificados - a Argentina perdeu com a Roménia nos oitavos por 3-2. Há quatro anos, na Coreia/Japão, disputaram-se os quartos de final mais intercontinentais dos últimos anos, nos quais quatro europeus se cruzaram com Brasil, Senegal, Estados Unidos e Coreia do Sul - a Argentina ficou-se pela primeira fase. Os campeões nestes anos não vieram do nosso continente: Argentina (1986) e Brasil (1994 e 2002).