Será que vale a pena?
Feitas as contas, dos 64 jogos do Mundial vi em directo 48. Passei 72 horas (mais ou menos, houve jogos que não vi desde o início) da minha vida sentado em frente a uma televisão a ver futebol, e umas horas mais à espera que começasse o jogo seguinte. No final dos jogos, a frase que mais vezes me lembro de pensar foi: "que porcaria de jogo". Com o avançar da competição comecei a pensar que este Mundial estava fraco.
Por isso, um mês de bola depois, será que valeu a pena ter estado tanto tempo a ver jogos entre equipas que tendiam sempre a jogar no erro do adversário, sem atacar muito, sem arriscar, sem que os principais nomes resolvessem os jogos sozinhos em uma ou duas jogadas? Ao longo dos mais de 30 meses que durou a qualificação, vão-se criando expectativas, aguarda-se a hora das grandes decisões, e, no final, os 32 que chegam ao Olimpo do futebol defraudam. Pelo menos os 32 de 2006 defraudaram. Vi Portugal, França, Itália, Inglaterra, Argentina e Brasil jogarem todos da mesma forma. Defender muito, talvez até demais, e ficar à espera de qualquer desastre adversário. Não vi um jogador que se destacasse sobremaneira em relação aos demais. Não houve uma equipa claramente superior às outras. E não houve daqueles jogos de Mundial à moda antiga, com muitos golos, muito ataque e emoção, ou então com um(ns) jogador(es) brilhante(s) a levar a sua equipa às costas, tipo Maradona'86, Pelé'70, Romário/Bebeto'94 ou mesmo Rossi'82. Nada disso. Jogos muito parecidos, quase todos saídos da mesma linha de montagem.
Houve, isso sim, muita discussão sobre as arbitragens, que sempre pareceram manhosas, dispostas a assinalar aquele penalti forçado e a proteger quem interessava à FIFA, deixando uma péssima imagem da classe do apito.
Viram-se muitos e bons golos, grandes golos, aliás. Mas que não disfarçam a fraca qualidade dos jogos. Será que foram todos grandes golos ou que a inovadora bola Teamgeist tem mesmo poderes ocultos que lhe alteram a trajectória? Eu acho que as duas estão correctas. Foram grandes golos, trajectória alterada ou não.
Mas a FIFA tem que pensar bem no que é melhor para a imagem de um desporto como o futebol. Chegar aos quartos de final com os oito do costume, mesmo que seja preciso levá-los ao colo, ou lutar sempre pela verdade desportiva? Definitivamente, acho que a melhor via é a da verdade desportiva, porque obriga a que as equipas se esforcem para vencer, provoca surpresas e traz uma imagem de transparência e justiça que só fica bem no futebol e abona muito a favor da própria instituição FIFA.
Próxima paragem: África do Sul 2010.

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