BOLA. Uma das coisas que mais entretém as pessoas.

20 setembro, 2006

A Indignação Leonina

O Sporting, e muito bem, na defesa dos seus interesses, tem criticado duramente o trabalho do quarteto de arbitragem do Sporting-Paços de Ferreira de Sábado passado, no qual o Paços venceu com um golo apontado com a mão.
O Sporting queixa-se e tem razão, é uma vergonha para a arbitragem portuguesa que estejam quatro árbitros à volta do campo e nenhum tenha visto, e é triste que um lance irregular resolva um jogo. É certo que errar é humano, mas desta vez o erro teve toda a influência no resultado.
Só é pena que o Sporting não se tenha queixado também daquele lance no Sporting-Leiria da época passada, quando o guarda-redes Ricardo defendeu uma bola bem para lá da linha de golo e o árbitro não viu. O Sporting venceu esse jogo por 2-1.
(Junho 2007: ao dar uma vista de olhos pelo historial do blog apeteceu-me adulterar um dos textos, e escolhi este porque ao ler as primeiras linhas do segundo parágrafo, me veio à ideia a frase em futebol tudo é possível)

18 setembro, 2006

Começou a Liga Bwin

Pois é... estamos na terceira jornada do campeonato nacional. Um campeonato que promete ser histórico. Agora com 16 equipas, menos duas que até aqui, e com um nome oficial que levanta problemas com a Santa Casa. Ainda com o escândalo apito dourado a fazer-se sentir, com o caso Mateus - que já só Poirot consegue resolver - ainda a ameaçar abalar as fundações do futebol português, resultando nas ameaças de FIFA e UEFA suspenderem a federação portuguesa.
Os árbitros andam à nora porque muitos estão indiciados no caso apito dourado; quando muitos pedem mudança na Liga, e alguém novo é eleito, eis que o presidente do Nacional, Rui Alves, decide impugnar as eleições, obrigando quem lá está a... continuar por mais uns tempos. O caso Mateus ocupou manchetes e mais manchetes, o presidente do Gil Vicente António Fiúza tornou-se mais conhecido que alguns membros do Governo, e agora o injustiçado (?) Belenenses joga a Liga, enquanto o Gil Vicente faz birra e não aparece aos jogos.
E futebol, perguntarão alguns? Bem... o futebol jogado está lá no fundo. Tem passado ao lado.
Mas há algumas coisas que me estão a levantar questões. Nas duas primeiras jornadas registaram-se 13 expulsões em 15 jogos. Parece-me demasiado. Entre acumulações de amarelos por faltas comuns, a faltas duras e a mandar vir com o árbitro, houve já um pouco de tudo o que pode justificar um cartão vermelho. Isto pode ser reflexo de inegurança por parte dos árbitros ou apenas indisciplina dos jogadores. Mas algo que me parece exagerado, mesmo assim.
Assim como é estranho que o Sporting tenha tido o mesmo quarto-árbitro nos dois jogos, e que João Ferreira, o árbitro que esteve em foco no Boavista-Benfica da 2ª jornada, tenha sido nomeado para dirigir na ronda 3 o Sporting-Paços de Ferreira, algo não muito aconselhável depois de toda a turbulência e expulsões que a partida do Bessa teve. O resultado foi uma vitória para o Paços com um golo marcado com a mão.
Agora foi o presidente do Portimonense que se queixou à Judiciária que o árbitro do jogo da 3ª jornada da Liga de Honra entre o Portimonense e o Leixões estava comprado, só faltava comprar um dos fiscais de linha. O Portimonense perdeu 1-4, depois de ter ido vencer pelo mesmo resultado a Olhão. A história segue dentro de momentos.
Assim como também se vão seguir todas estas histórias que transformam o futebol português numa triste novela a que não vale a pena assistir. Quando o que se passa fora das quatro linhas condiciona o que se passa lá dentro, o futebol está num mau caminho. As polémicas estão a ocupar mais atenções do que os jogos e os golos.

04 setembro, 2006

Euro 2008 - A Desgraça Húngara

No dia 2 de Setembro de 2006 a Hungria disputou o primeiro jogo da qualificação para o Euro 2008, perdendo em casa com a Noruega por 1-4. Depois de saber o resultado, e porque já tinha reparado que a Hungria já teve melhores dias, resolvi fazer uma retrospectiva dos jogos dos magiares nos últimos anos. A conclusão que tiro é que o futuro do futebol húngaro é negro.
Em Novembro de 1997 a Hungria jogou com a Jugoslávia o play-off de acesso ao Mundial de França, do qual saiu derrotada por 1-7 em Budapeste, e por 5-0 no jogo de retorno. Desde então, e ao fim de quatro apuramentos (falhados), a lista de equipas que a Hungria derrotou inclui somente equipas do fundo da tabela europeia: Azerbeijão, Liechtenstein, Lituânia, Geórgia, Letónia, São Marino, Islândia e Malta. Quando a oposição vem de países mais fortes, o resultado é quase sempre o mesmo: a derrota. Mesmo em jogos amigáveis os resultados não são de todo bons. O maior choque causado pelos húngaros nos últimos tempos foi uma vitória na Alemanha (0-2), em Junho de 2004.
Algo muito mau, especialmente para um país que tem uma história futebolística bastante rica a nível de Selecções, e que deixou para a posteridade jogadores como Puskás, Kocsis e Czibor. A Hungria marcou presença em duas finais do Campeonato do Mundo - 1938 e 1954 - fazendo, inclusivamente, uma espectacular prova em 1954, derrotando a Alemanha por expressivos 8-3. De resto, um dos jogos mais célebres de todos os tempos ocorreu em 1953, em Londres, com a Hungria a vencer a Inglaterra por 6-3.
Numa altura em que o futebol de Leste está a crescer, a Hungria é a excepçaõ. A última vez que os magiares se qualificaram para um grande certame foi em 1986, no Mundial do México. 20 anos depois, a Hungria está a morrer aos poucos, não conseguindo construir uma equipa capaz. O guarda-redes Király caminha para o final da carreira e Dárdai também se aproxima dessa fase. Zoltan Gera, o ponta de lança, joga em Inglaterra, mas está longe de fazer furor, assim como Huszti e Horváth, outros dos mais conhecidos da equipa.
Lembro-me de ler uma entrevista ao então ainda vivo Miklós Fehér em que ele disse que as assistências aos jogos do campeonato húngaro estão a cair, e que assim era difícil formar equipas boas que alimentassem a selecção. O que também é verdade, já lá vão 11 anos sem que uma equipa magiar atinja a fase de grupos da Champions.
Com a derrota frente à Noruega a condicionar o arranque do apuramento para 2008, o cenário está difícil para a Hungria. Ainda para mais num grupo que tem ainda a campeã europeia Grécia, além da Turquia e da cada vez mais incómoda Bósnia, que recebe a Hungria no próximo jogo.