BOLA. Uma das coisas que mais entretém as pessoas.

30 outubro, 2006

Hilário

Quando o Chelsea avançou para a contratação do guarda-redes do Nacional Hilário, o mundo do futebol decerto que se dividiu entre a surpresa, o espanto, a interrogação, o riso, e, em último caso, Mourinho tem alguma na manga.
Com um Petr Cech de pedra e cal nas redes dos blues, e ainda Carlo Cudicini à sua frente na linha de sucessão ao guardião checo, Hilário poucas hipóteses teria de jogar, limitando-se a treinar, aprender e embolsar uns milhares de libras.
Mas o futebol tem coisas do arco da velha. Num jogo normalíssimo do Chelsea, Cech e Cudicini lesionam-se e têm ambos que ficar de molho. Sobrava Hilário. O português, que há coisa de meses andava a jogar na Liga Betandwin contra colossos como E. Amadora, Belenenses e Paços de Ferreira, via-se agora na equipa titular do Chelsea para o jogo da Champions contra o Barcelona.
O Chelsea venceu por 1-0, Hilário defendeu bem, continuou a titular nos jogos de campeonato e até já defendeu um penalti, contra o Sheffield United. Quem diria... de jogador que ia fazer os últimos 5 minutos do último jogo da época, a titular quando a temporada ainda nem a meio vai.
É por coisas como esta que o futebol encanta milhões e deixa imensas peripécias caricatas todos os anos. E imaginemos que Hilário embarca em (ainda mais) altos voos?

27 outubro, 2006

Parecia, mas ele afinal está vivo

A temporada 2006/07 trouxe de volta, pelo menos por algum tempo, um nome que há muito andava pelas brumas da memória. Falo do atacante norueguês Ole Gunnar Solskjaer, que, aos 33 anos parece ter renascido no Manchester United.
A última partida do norueguês pelos red devils na Liga dos Campeões datava de 9 de Março de 2004, no jogo da 2ª mão dos oitavos de final, contra o FC Porto, no qual jogou sete minutos. O seu último golo na Champions remontava a 16 de Setembro de 2003, numa goleada sobre o Panathinaikos por 5-0. Após a saída de van Nistelrooy para o Real Madrid, o assassino com cara de bebé, como era conhecido, aproveitou da melhor forma a oportunidade e voltou a assumir o seu papel no Manchester United.
Na Liga dos Campeões leva dois jogos e um golo, e na Premiership marcou já quatro golos em sete partidas. Nas últimas duas temporadas no campeonato inglês, Solskjaer apenas realizara 16 jogos, e já não via o seu nome na lista de marcadores desde a temporada 2002/03, há mais tempo do que na Europa.
Solskjaer está a mostrar que velhos são os trapos, e que está de volta para assombrar mais uns quantos guarda-redes.

10 outubro, 2006

Euro 2008 - Eidur Gudjohnsen e a Islândia

O extremo Eidur Gudjohnsen é um daqueles jogadores que se incluem num grupo de craques vindos de países fora do círculo de habituais clientes das fases finais das grandes competições que conseguem manter boas carreiras a nível de clubes.
George Weah (Libéria), Ryan Giggs (Gales), Jari Litmanen (Finlândia), Jeff Strasser (Luxemburgo) e Alexander Hleb (Bielorrússia) são outros exemplos desse tipo de jogador.
Gudjohnsen chegou ao Bolton Wanderers vindo do PSV Eindhoven em 1998. Em 2000 assinou pelo Chelsea, onde se manteve por seis temporadas e integrou a equipa de José Mourinho, mudando-se para o Barcelona no Verão de 2006, ao fim de 96 golos em 318 jogos na Premier League.
Jogadores como Gudjohnsen não são mais reconhecidos devido à falta de oportunidades que os seus países têm de ir longe no futebol. A Islândia, pese embora a boa campanha para o Euro 2004 - 3º lugar no grupo 5, com 13 pontos - ainda precisa de caminhar muito para se fazer notar. Só Gudjohnsen não chega. A Islândia faz lembrar as equipas africanas que se qualificam para os mundiais, normalmente levadas às costas pelo único jogador de craveira internacional que possuem. Assim como Adebayor está para o Togo e Akwá para Angola, Gudjohnsen está para a Islândia.
Nas últimas duas fases de apuramento Gudjohnsen marcou 11 dos 25 golos do seu país. Se fosse em África, a Islândia certamente que seria presença habitual nos mundiais. Na Europa é mais difícil, e enquando Gudjohnsen for o único islandês internacionalmente reconhecido, vai ser difícil.

Euro 2008 - Alarmes Soam em Espanha

A Espanha está a ter um início de qualificação para o campeonato da Europa no mínimo indigesto, com duas derrotas nos três primeiros jogos. Tal número de derrotas não era visto desde o apuramento para o Euro'92.
O choque causado por estes desaires torna-se maior se analisarmos o histórico da Espanha em jogos de qualificação a partir de 2000. Nos 26 jogos disputados em fases de apuramento - Mundiais 2002 e 2006 e Euro 2004 - nuestros hermanos apenas perderam um, em Junho de 2003, em casa contra a Grécia (0-1), a contar para o Euro 2004.
A tradição diz-nos que a Espanha domina claramente as fases de apuramento para depois chegar às fases finais e desiludir. O Mundial 2006 repetiu a história, mas os primeiros jogos do Euro 2008 sugerem que o problema, desta vez, pode ser mais grave. Depois de bater o Liechtenstein, os espanhóis caíram em Belfast (3-2), contra uma equipa que nos 28 jogos oficiais que disputou entre 2000 e 2005 apenas ganhou cinco. No passado Sábado a derrota em casa da Suécia (2-0) acentuou a ideia de que algo se passa com a equipa espanhola.
A Espanha tem um conjunto de futuro - Sergio Ramos, Fábregas, Fernando Torres, David Villa - onde ainda se encontram alguns homens mais experientes, como Casillas, Puyol, Xavi ou Raul. Tantos bons jogadores deveriam ser sinónimo de uma equipa temível, mas a realidade é bem diferente. A Espanha vacila continuamente na hora H, teve que jogar um play-off nas duas últimas fases de qualificação, e o seleccionador Luis Aragonés vê-se frequentemente metido em polémicas que nada abonam a seu favor.
Apesar das poucas derrotas, os nossos vizinhos ibéricos têm tido mais dificuldades em se qualificar do que antigamente, e parecem destinados a sucumbir perante os seus próprios fantasmas. A Espanha de hoje é a melhor dos últimos anos, mas esses fantasmas podem fazer com que este grupo de jogadores não deixe a sua marca no futebol mundial. O próximo jogo será em Março de 2007 contra a Dinamarca. Mais uma derrota e os alarmes devem começar a soar pela Espanha castelhana fora.

04 outubro, 2006

Galo de Crista em Baixo

Finalmente o Gil Vicente decidiu terminar com a birra e apareceu, no Domingo, em Vila do Conde para disputar o desafio da 5ª jornada da Liga de Honra.
Depois de três faltas de comparênca que ditaram uma penalização de seis pontos aos gilistas, e quando se ia apresentar a jogo, Mateus, o internacional angolano que fez abalar as fundações do futebol no Verão de 2006 - durante o abalo ele estava na Alemanha a jogar o Mundial com o seu país - não apareceu, e não deixou aviso que ia para a concentração da Selecção angolana. Um episódio caricato a finalizar uma semana em que muitos jogadores partiram para os pré-avisos de rescisão.
Como uma desgraça nunca vem só, o Gil saiu derrotado do encontro com o Rio Ave por 1-0, com um auto-golo de Gouveia, um dos indiscutíveis do meio campo gilista, e acabou com dez homens em campo. O próximo jogo é um derbi contra o Guimarães, e caso o Gil Vicente perca, o futuro para os lados de Barcelos afigura-se muito carregado de nuvens.

Crise Estudantil

A Académica, ao fim da 5ª jornada da Liga Bwin 06/07, ocupa o antepenúltimo lugar da classificação e ainda não venceu. Manuel Machado, na estreia ao leme dos estudantes, ficará com a vida complicada se esta crise de resultados continua.
Manuel Machado era visto como uma das promessas da chamada nova vaga de treinadores que estava a surgir nos primeiros anos da década, juntamente com José Peseiro, João Carlos Pereira, Vítor Pontes e Carlos Carvalhal, entre outros.
O técnico minhoto levou, em épocas consecutivas, o Moreirense da II Divisão B à Superliga, levando a equipa à manutenção nas duas épocas em que comandou os axadrezados no escalão maior. No regresso a Guimarães levou o clube à Taça UEFA, fazendo o mesmo com o Nacional na época passada. Agora na Académica, os resultados tardam em surgir, mas penso que o problema não é o treinador. Machado está apenas a ser vítima do problema endémico que tem afectado a Académica dos últimos anos.
É curioso constatar que nas últimas seis épocas que a Académica passou na divisão principal, a melhor classificação foi um discreto 13º lugar, em 2003/04. As aflições da linha de água são um filme comum em Coimbra, que apesar de revelar alguns bons jogadores - João Tomás, Tonel, Zé Castro, Joeano, Marcel - não consegue extrair o máximo proveito deles, terminando com o credo na boca época atrás de época.
A última derrota, em casa com o Nacional (1-3), deve fazer soar os alarmes na histórica Académica, que já há várias décadas que não se consegue assumir como clube de primeira.