BOLA. Uma das coisas que mais entretém as pessoas.

20 janeiro, 2008

Milagres de Guimarães

O Vitória de Guimarães tem conhecidas relações com o oculto, adquiridas nas épocas de aflição do início da década. O Professor Alexandrino foi o primeiro a trabalhar para os vimaranenses, em 2001, com o objectivo de afastar os maus espíritos do plantel vitoriano, em risco de descer. Em 2006, com o nuvens da descida cada vez mais carregadas, o Bruxo de Fafe caminhou desde o D. Afonso Henriques até ao Bom Jesus de Braga, defumando imagens dos jogadores do Guimarães.
Guimarães não fica muito longe de Vilar de Perdizes, o que pode explicar a tendência darkside do Vitória minhoto. Mas tudo isto, comparado com o trabalho de uma lenda viva, não passa de charlatanice.
O verdadeiro milagre é o de Manuel Cajuda, que no espaço de um ano levou o Vitória desde o profundo 11º lugar da Liga Vitalis até ao terceiro posto da divisão principal, a uma vitória de conquistar a vice-liderança. Cajuda é um mito entre os treinadores nacionais. Tem uma carreira longuíssima, com passagens por Braga, Leiria, Beira-Mar, Belenenses, entre muitos outros. Incluindo os alentejanos d'O Elvas, em finais dos anos 80, que o técnico promoveu à então I Divisão. Quem diria que seria um algarvio o verdadeiro milagreiro de Guimarães.
Contudo, e para terminar, o milagre que parece nunca acontecer em terras vimaranenses, é o Vitória tornar-se efectivamente grande, e ganhar um ou outro campeonato. Massa adepta? Sim. Apoio efervescente? Sim. Bons jogadores? Também, e aliás, ao longo de muitos anos isso acontece. Coisas que todos os clubes desejam, por isso, o que faltará para o clube quebrar o domínio dos grandes?

Jogos de Taça

Hoje desloquei-me ao Estádio do Dragão para assistir ao FC Porto-Desp. Aves da quinta eliminatória da Taça de Portugal. E a primeira palavra que me passou pela cabeça ao chegar ao estádio foi esta: saldos.
Os jogos de Taça, outrora motivo para emoção a dobrar - ou não estivéssemos a falar de jogos a eliminar - hoje são como os saldos do futebol. Saldos nos adeptos, nos jogadores, no preço dos bilhetes, no futebol jogado, enfim... em tudo um pouco.
O reduto do FC Porto recebeu cerca de 10 mil espectadores, que presenciaram uma partida enfadonha, com demasiados suplentes em campo para se ver um jogo bonito, e sem direito a transmissão televisiva. A Taça de Portugal só proporciona jogos no fio da navalha em três ocasiões: quando acontece taça, quando o jogo opõe dois grandes, ou quando é a final. De resto, "descrédito" é a palavra de ordem.
Haverá soluções? É que está a fazer falta uma remodelação da Taça.
Principalmente na final. Para mim, o jogo decisivo é sempre disputado antes do 25 de Abril, por causa da imagem cinzenta e fascista do Estádio Nacional, que parou em 1974 e nem as cadeirinhas brancas e a iluminação - que não é utilizada - dão outro ar ao recinto. Já para não falar que os balneários - onde Sá Pinto esmurrou Artur Jorge em 1995 - são fora do estádio...

09 janeiro, 2008

Mitos e Lendas IV - Fusco

João Filipe, mais conhecido por Fusco, foi um centrocampista do Beira-Mar, que teve como ponto alto da carreira a conquista da Taça de Portugal 1998/99, que recebeu das mãos de Jorge Sampaio, enquanto capitão de equipa. Já na presente década, o capitão foi perdendo o lugar no onze, e acabou por sair pela porta pequena, no final da época 2003/04.
A última vez que inscreveu o seu nome na lista de marcadores foi no dia 25 de Fevereiro de 2001, em casa do Campomaiorense, numa vitória auri-negra por 0-2. Hoje com 35 anos, não sei o que é feito dele.

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Mitos e Lendas III - Peu

Este jogador foi o esteio da defensiva do Rio Ave no final dos anos 90 e início da corrente década. Edinaldo dos Santos de seu nome próprio, Peu entre a tribo do futebol, beneficiava da sua altura para ganhar lances às defensivas contrárias, e com isso ajudar a equipa de Vila do Conde a manter-se na então I Liga. Foi dispensado em 2003, depois de se sagrar campeão da II Liga, e daí para a frente, infelizmente, não sei para que clube foi, embora tenha continuado em Portugal.
Hoje com 36 anos, a sua passagem pelos relvados portugueses é suficiente para aparecer nesta minha lista de mitos e lendas.
Para terminar, resta dizer que apesar de ser defesa, Peu marcou alguns golos - poucos, mesmo assim. O seu último tento aconteceu a 31 de Outubro de 1999, aos 53 minutos de um Rio Ave-Farense. O golo fixou o resultado final (1-1), depois de outro mito, Hassan, ter aberto o activo aos 21 minutos.

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04 janeiro, 2008

Será?

Quem não se lembra do título conquistado pelo Sporting em 2001/02? Há vários motivos para recordar esse campeonato. Primeiro, por ter tido um vencedor efémero, visto que em toda a minha vida só vi o Sporting campeão duas vezes; segundo, porque Mário Jardel foi melhor marcador com uns astronómicos 42 golos; terceiro, porque o campeão terminou a época com um número anormal, quase absurdo, de grandes penalidades a favor: 17.
E foi aqui que uma coisa curiosa me passou pela cabeça. Jardel festejou uma porção dos seus 42 golos levantando a camisola, sob a qual vestia uma t-shirt com a inscrição "Porque será?", depois "Será?", e por último, "Será do Guaraná?", numa inteligente acção de publicidade. E se todos aqueles penaltis que o Sporting teve a favor fossem uma bem gizada estratégia de promoção da marca, que, naturalmente, lucrava com quantos mais golos o Super Mário marcasse?
Seria necessário, claro está, "comprar" imensos árbitros para facilitarem os castigos máximos ao Sporting, mas, curiosamente, 2001/02 foi a temporada em que me lembro de haver menos queixas das arbitragens. Seria para não levantar o véu, não fosse algum jornalista mais perspicaz descobrir o conluio?

A Bota de Scolari

Luiz Felipe Scolari arranjou mais uma potencial bota para descalçar com os últimos jogos de qualificação para o Euro 2008. Não tem muito a ver com as exibições cinzentas, é mais devido a quem jogou.
Já não é a primeira vez que Scolari sofre um desaire e recorre aos jogadores do FC Porto para equilibrar as coisas - recordem-se as mexidas na equipa após a derrota no jogo de abertura do Euro 2004.
Bosingwa, Bruno Alves e Pepe foram titulares na recta final da campanha de apuramento e não deixaram os seus créditos por mãos alheias. O que vai o treinador fazer na hora de escolher o onze para a fase final? Continuar a apostar nesse trio defensivo em detrimento de outros jogadores que já estavam estabelecidos na selecção? Ou voltar a colocar a equipa scolariana e corrigir caso a equipa perca no jogo com a Turquia, que abre a participação portuguesa?
Scolari é tão dado a polémicas que bem podemos ter aqui um pé-de-vento.