BOLA. Uma das coisas que mais entretém as pessoas.

18 abril, 2008

A Nova Peça do Xadrez

Já não é a primeira vez que venho aqui "atacar" o Boavista. Um post de Outubro - "Xeque!" - chama a atenção para as dificuldades financeiras que o Boavista atravessa. O clube precisava de uma solução, e o presidente Joaquim Teixiera tratou de a arranjar. E é esse o motivo por que volto a falar no Boavista.
O coelho tirado da cartola é Sérgio Silva (à esquerda na foto), um empresário nebuloso, antigo pintor da construção civil na zona de Viana do Castelo, de forte sotaque minhoto e, aparentemente, bolsos fundos. No entanto, para o Boavista, pode ter sido pior a emenda que o soneto.
Sérgio Silva propôs-se a injectar faseadamente no Boavista o espantoso montante de 38,5 milhões de euros. A primeira tranche era de 14 milhões, mas depois da notícia do JN a alertar que Silva é arguido por cheques carecas, o valor baixou para os 9,5 milhões.
O valor da injecção de capital não pára de descer, enquanto que as interrogações sobre Sérgio Silva não param de subir.
Sabe-se que o empresário é proprietário da empresa Castle Shore - Costa do Castelo em português - sedeada em Londres, e criada expressamente para o saneamento do Boavista. Além disso, Silva tem três nacionalidades - portuguesa, francesa e norte-americana - reside habitualmente nos Estados Unidos, e apresenta-se como um benemérito, interessado apenas em salvar um clube de futebol, exigindo apenas rigor na gestão.
Ainda assim, em troca da sua boa vontade, o empresário luso-franco-americano recebeu os naming rights do Estádio do Bessa, os direitos televisivos e, consta-se, os passes de alguns jogadores.
Se a situação já não fosse obscura, nomeadamente na parte da entrada efectiva de dinheiro, eis que hoje Sérgio Silva foi levado até à PJ do Porto para clarificar o seu passado.
Joaquim Teixiera diz que tem total confiança no investidor, porque confia nas pessoas que o trouxeram até ao Bessa, mas essa confiança parece ser excessiva, afinal de contas, nunca ninguém tinha ouvido falar em Sérgio Silva, à excepção daqueles a quem o ex-pintor ficou a dever dinheiro.
O Boavista que se cuide.

10 abril, 2008

O LIvre Indirecto Dentro da Área

O futebol é tido como o beautiful game, um jogo em que se podem ver jogadas artísticas, quase um bailado com bola que por vezes nos deixa de boca aberta.
No entanto, há situações em que o jogo se torna em algo completamente diferente. Nos livres indirectos dentro da área, por exemplo.
É talvez a jogada mais caricata que se pode ver durante um jogo de futebol. Não me acredito que haja um único treinador que inclua na planificação de treinos uma sessão reservada ao ensaio deste tipo de lance!
O livre indirecto dentro da área é dos poucos, senão mesmo o único lance em que parece que os jogadores não sabem o que devem fazer.
Para começar, estão 19 jogadores dentro da área - só estão fora o ponta-de-lança da equipa que defende, o central que o está a marcar, e o outro guarda-redes. Sete ou oito jogadores fazem barreira e há dois ou três da outra equipa que se juntam para atrapalhar. Ao mesmo tempo, todos os jogadores dão ordens e apontam uns para os outros, enquanto se agarram e empurram, num cenário em que a bola parece tornar-se num monstro maligno prestes a atacar.
Marcar um livre indirecto deste género deve ser mais difícil que meter um livre directo no ângulo a 30 metros da baliza, já que não está só um autocarro estacionado em frente à linha de golo, estão dois!

08 abril, 2008

O Verdadeiro Problema do Futebol Moderno

Há cerca de 15 anos, ir ao futebol era quase um dado adquirido no fim-de-semana de muitos portugueses.
Os estádios só tinham cadeiras e cobertura na bancada dos sócios-cativos, os guarda-chuvas ainda não eram considerados arma de destruição maciça e podiam entrar, era preciso chegar ao estádio duas horas antes do jogo porque não havia lugares marcados e os jogos eram quase todos à mesma hora.
E as bancadas estavam sempre compostas.
Hoje, tudo melhorou. Os estádios são quase todos cobertos, o que dispensa o uso do guarda-chuva, os lugares são marcados e os jogos são todos a horas diferentes para podermos ver o nosso jogo sem perder os outros.
Mas ninguém vai ao estádio!
Apontam-se mil e uma causas para o divórcio adepto/lugar 26, fila 24. É a chuva, é a hora do jogo, é a transmissão televisiva, são os dirigentes que descredibilizam o futebol, são os árbitros que envergonham o futebol, é a equipa que está em 15º lugar e não puxa a ir ver o jogo, ... Muitas justificações, mas foge-se sempre ao busílis da questão.
Antigamente jogava-se à bola, hoje evita-se jogar!
Antigamente os jogadores - fossem eles do FC Porto, do Benfica, do Feirense ou do Torreense - esfolavam-se em campo, hoje jogam a passo!
Antigamente era bola para a frente, hoje é bola para o lado ou para trás.
O futebol tem que mostrar a vantagem que há em ir ao estádio, e essa vantagem reside no facto de o jogo de futebol ser um espectáulo em que tudo pode acontecer. É uma pena que o futebol moderno se tenha transformado num jogo em que nada acontece, porque tudo é controlado, e às vezes parece que é preciso pedir licença para chegar à área.
Arranjem-se todas as justificações possíveis, mas quando o jogo sistematicamente é pobre em espectáculo, não há adepto que sistematicamente pegue no cachecol e vá para o lugar 26, fila 24...

O Clube-Empresa

Hoje em dia, frequentemente aparece alguém a dizer que os clubes de futebol se estão a transformar em empresas. Vendo as coisas por este prisma, vale a pena colocar a seguinte questão.
Sendo os clubes uma empresa, o jogo de futebol passa a ser o principal produto que essa empresa tem para oferecer, e logo, os adeptos passam a ser clientes.
Posto isto, será que os adeptos têm direito a processar o clube por jogar mal? No fundo, eles pagaram para usufruir de um produto, mas esse produto estava estragado. O jogo ficou 0-0 e não teve emoção, nem qualidade técnica e empenho por parte dos funcionários da empresa - leia-se jogadores.
É a mesma coisa que ir ao supermercado comprar leite, e o leite não estar em condições para ser consumido. O cliente tem todo o direito de reclamar com a Agros e ser ressarcido.
Os clubes não podem ser empresas apenas para poder usar a marca-clube "x" e vender camisolas, cachecóis, peluches, porta-chaves e garrafas de vinho. O próprio jogo de futebol - e quem diz futebol diz andebol, basquetebol, etc. - tem que ser visto como um produto disponível para quem o quiser consumir.
É uma questão pertinente. Uma questão que podia levar a uma revolução no próprio jogo, já que os jogadores ficavam com a obrigação de oferecer um espectáculo aceitável.
Fica a ideia...

04 abril, 2008

Pesos e Medidas

Numa altura em que se discute muito sobre a proporção de tempo que a RTP dá a cada partido político, convém olhar para o tratamento dado aos clubes de futebol nas transmissões de jogos europeus na mesma RTP.
Ontem, o Rangers-Sporting parecia já a final da Taça UEFA. O comentador parecia que descolava do assento com a emoção sempre que a bola se aproximava da área dos escoceses.
Situação algo diferente de um jogo realizado há coisa de um mês, igualmente a contar para os quartos de final de uma competição a eliminar.
Falo do FC Porto-Schalke 04. Nessa partida, o comentador parecia estar a narrar um qualquer jogo entre duas equipas estrangeiras. Sem emoção, sem levantar a voz, com uma calma e imparcialidade invejáveis.
Haverá aqui dois pesos e duas medidas? Ou a primeira mão dos quartos de final da Taça UEFA é mais importante que a segunda mão dos quartos de final da Champions? Ainda para mais quando essa segunda mão esteve sempre, durante 120 minutos, em aberto.
Se calhar o FC Porto é galego, como um jornal estrangeiro (italiano, acho eu) já chegou a escrever...