O Verdadeiro Problema do Futebol Moderno
Há cerca de 15 anos, ir ao futebol era quase um dado adquirido no fim-de-semana de muitos portugueses.Os estádios só tinham cadeiras e cobertura na bancada dos sócios-cativos, os guarda-chuvas ainda não eram considerados arma de destruição maciça e podiam entrar, era preciso chegar ao estádio duas horas antes do jogo porque não havia lugares marcados e os jogos eram quase todos à mesma hora.
E as bancadas estavam sempre compostas.
Hoje, tudo melhorou. Os estádios são quase todos cobertos, o que dispensa o uso do guarda-chuva, os lugares são marcados e os jogos são todos a horas diferentes para podermos ver o nosso jogo sem perder os outros.
Mas ninguém vai ao estádio!
Apontam-se mil e uma causas para o divórcio adepto/lugar 26, fila 24. É a chuva, é a hora do jogo, é a transmissão televisiva, são os dirigentes que descredibilizam o futebol, são os árbitros que envergonham o futebol, é a equipa que está em 15º lugar e não puxa a ir ver o jogo, ... Muitas justificações, mas foge-se sempre ao busílis da questão.
Antigamente jogava-se à bola, hoje evita-se jogar!
Antigamente os jogadores - fossem eles do FC Porto, do Benfica, do Feirense ou do Torreense - esfolavam-se em campo, hoje jogam a passo!
Antigamente era bola para a frente, hoje é bola para o lado ou para trás.
O futebol tem que mostrar a vantagem que há em ir ao estádio, e essa vantagem reside no facto de o jogo de futebol ser um espectáulo em que tudo pode acontecer. É uma pena que o futebol moderno se tenha transformado num jogo em que nada acontece, porque tudo é controlado, e às vezes parece que é preciso pedir licença para chegar à área.
Arranjem-se todas as justificações possíveis, mas quando o jogo sistematicamente é pobre em espectáculo, não há adepto que sistematicamente pegue no cachecol e vá para o lugar 26, fila 24...

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