A Nova Peça do Xadrez
Já não é a primeira vez que venho aqui "atacar" o Boavista. Um post de Outubro - "Xeque!" - chama a atenção para as dificuldades financeiras que o Boavista atravessa. O clube precisava de uma solução, e o presidente Joaquim Teixiera tratou de a arranjar. E é esse o motivo por que volto a falar no Boavista.O coelho tirado da cartola é Sérgio Silva (à esquerda na foto), um empresário nebuloso, antigo pintor da construção civil na zona de Viana do Castelo, de forte sotaque minhoto e, aparentemente, bolsos fundos. No entanto, para o Boavista, pode ter sido pior a emenda que o soneto.
Sérgio Silva propôs-se a injectar faseadamente no Boavista o espantoso montante de 38,5 milhões de euros. A primeira tranche era de 14 milhões, mas depois da notícia do JN a alertar que Silva é arguido por cheques carecas, o valor baixou para os 9,5 milhões.
O valor da injecção de capital não pára de descer, enquanto que as interrogações sobre Sérgio Silva não param de subir.
Sabe-se que o empresário é proprietário da empresa Castle Shore - Costa do Castelo em português - sedeada em Londres, e criada expressamente para o saneamento do Boavista. Além disso, Silva tem três nacionalidades - portuguesa, francesa e norte-americana - reside habitualmente nos Estados Unidos, e apresenta-se como um benemérito, interessado apenas em salvar um clube de futebol, exigindo apenas rigor na gestão.
Ainda assim, em troca da sua boa vontade, o empresário luso-franco-americano recebeu os naming rights do Estádio do Bessa, os direitos televisivos e, consta-se, os passes de alguns jogadores.
Se a situação já não fosse obscura, nomeadamente na parte da entrada efectiva de dinheiro, eis que hoje Sérgio Silva foi levado até à PJ do Porto para clarificar o seu passado.
Joaquim Teixiera diz que tem total confiança no investidor, porque confia nas pessoas que o trouxeram até ao Bessa, mas essa confiança parece ser excessiva, afinal de contas, nunca ninguém tinha ouvido falar em Sérgio Silva, à excepção daqueles a quem o ex-pintor ficou a dever dinheiro.
O Boavista que se cuide.
O futebol é tido como o beautiful game, um jogo em que se podem ver jogadas artísticas, quase um bailado com bola que por vezes nos deixa de boca aberta.
Há cerca de 15 anos, ir ao futebol era quase um dado adquirido no fim-de-semana de muitos portugueses.
Numa altura em que se discute muito sobre a proporção de tempo que a RTP dá a cada partido político, convém olhar para o tratamento dado aos clubes de futebol nas transmissões de jogos europeus na mesma RTP.