A culpa pode não ser do árbitro
Numa altura em que muitos procuram a explicação para a diminuição da qualidade do futebol de há uns anos a esta parte, vou deitar uma acha na fogueira para tentar resolver um dos maiores mistérios da Humanidade.Todas as semanas há um qualquer árbitro que é vítima de um auto de fé na comunicação social por causa do seu trabalho no jogo do fim-de-semana. À vez, e quase sem excepções, já todos foram crucificados por marcar e deixar de marcar faltas, mas a culpa não será mais dos jogadores e da mentalidade destes?
Em outras eras, futebol era um jogo para homens, e râguebi para homens de barba rija. Hoje, no século XXI, o jogo para homens é o râguebi, enquanto o futebol parece ter-se tornado no jogo para homens de barba murcha.
Antigamente, cair era sinónimo de fraqueza, era mostrar ao adversário que ele era melhor que nós, que ele tinha uma hipótese real de nos ganhar. Daí que a generalidade dos jogadores corresse sempre atrás da bola, por entre cargas, empurrões e cortes na raça – parar, só mesmo com uma valente traçadela, ou qualquer outro tipo de falta descarada.
Hoje, acontece o inverso. A generalidade dos jogadores atira-se para o chão ao mínimo contacto com o adversário. Às vezes sem contacto! Sentem o bafo do adversário na nuca e, salvo louváveis excepções, surge a queda. Ou então é a bola que se afasta um metro a mais, e eis novo trambolhão. Já quase não há valentia na procura da bola e cair é quase sempre sinónimo de falta.
Talvez haja um pouco de complacência neste aspecto, mas mesmo assim, os árbitros já não sabem o que é e o que não é falta! Até eu tenho dificuldades em ter um veredicto sobre os lances que vou vendo, tantas são as coisas que se dizem e as interpretações diferentes para os mesmos lances.
Quando, no fundo, atirar-se para o chão é faltar ao respeito ao árbitro, aos adversários, aos espectadores que pagaram para ver o jogo, e a quem vê na televisão, que em muitos casos paga a assinatura de um canal temático.
E é faltar ao respeito à própria essência do jogo, prejudicando-lhe claramente a fluidez e retirando-lhe qualidade.

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