Jornada 1 - 14 a 17 Agosto 2009
Partida simbólica
É o mínimo que se pode dizer da ronda inaugural. Por vezes diz-se que a primeira impressão é a que fica, mas esperemos que a jornada de abertura não seja um presságio do que aí vem, e que pelo menos por uma vez, possamos desfrutar de um ano de futebol mais bonito, mas acima de tudo, mais concretizador.
Os oito jogos do fim-de-semana renderam uns escassos nove golos, pecúlio gritantemente magro quando comparado com os 18, 18 e 24 das jornadas de arranque das últimas três temporadas. Aliás, é mesmo a jornada menos produtiva desta década, igualando um registo de 2004/05.
Até os três grandes caíram nesta inépcia – nenhum foi capaz de vencer. De resto, o Sporting nem conseguiu marcar, já que beneficiou de um auto-golo de João Aurélio para sair da Choupana com um empate a uma bola, o mesmo resultado obtido pelo FC Porto, como se lê mais abaixo, e pelo Benfica em casa com o Marítimo.
Destaque ainda para Carlão, que depois de 11 golos na subida da U. Leiria em 2008/09, entrou na nova época com um golo que resgatou um ponto. Haverá aqui sucessor para Nenê?
É difícil tirar outras ilações de uma jornada tão parca em tudo. Com todos os encontros menos um a terminarem empatados, é quase como se ninguém tivesse jogado.
No final, a liderança ficou na posse do Braga, pelo simples facto de ter sido a única equipa capaz de ganhar o seu encontro. Pela margem mínima, como não poderia deixar de ser – golo de Meyong.
A abertura
Leixões e Belenenses tiveram a honra de abrir a Liga Sagres 2009/10, o que pode soar a ironia para os do Restelo, já que foi graças aos graves problemas financeiros do Estrela da Amadora que o Belenenses evitou jogar na (antiga) Honra.
Mas não. Era mesmo futebol de primeira, num relvado tão remendado como a nova época. Entre as duas divisões profissionais, quatro clubes foram impedidos de participar, forçando a subida à Liga Vitalis de duas equipas adicionais, exactamente aquelas que em Maio choraram a subida que tinham acabado de perder.
Confuso? Nada de mais natural quando o assunto é o futebol português. Mais confuso ainda é começar a época com um jogo entre bebés e cruz de Cristo quando talvez fizesse mais sentido abri-la com castores e dragões.
Assim não aconteceu, e foi, então, o único “remendo” da liga principal a dar os primeiros pontapés. O jogo do Estádio do Mar terminou como começou, sem golos, com poucas oportunidades para estes acontecerem, e com um futebol desconexo. O ritmo só acelerou nos últimos 15 minutos, muito por culpa da estouvada busca leixonense pelo golo que não viria a acontecer.
O jogo da semana
Paços de Ferreira 1-1 FC Porto
(Ricardo 12’) (Falcao 78’)
Terceiro encontro consecutivo entre os dois clubes, ainda que em épocas diferentes, depois da final da Taça e da Supertaça Cândido de Oliveira. Tantos jogos seguidos entre as mesmas equipas não costuma resultar em vitórias sempre para o mesmo lado, e por pouco que os tetracampeões não saíam da Mata Real com a mobília completamente estragada.
A uma exibição nervosa – espelhada na expulsão de Hulk, já na segunda parte – juntou-se um golo às três tabelas de Ricardo, ao qual o FC Porto mostrou dificuldades em reagir. Com onze homens a precisão nas jogadas foi pouca, mas acabaria por ser quando já jogava com menos um que o FC Porto chegou ao golo, por Falcao, a carimbar da melhor maneira a estreia oficial.
Os pacenses pareceram a equipa mais segura durante grande parte do jogo, mas apesar de terem disposto de algumas boas oportunidades, faltou o engenho para matar o jogo – aliás, como tantas vezes acontece às equipas mais modestas, não só nos jogos grandes.
Resultados
Leixões 0-0 Belenenses
Nacional 1-1 Sporting
Braga 1-0 Académica
Naval 0-0 Olhanense
Leiria 1-1 Rio Ave
P. Ferreira 1-1 FC Porto
Benfica 1-1 Marítimo
Setúbal 0-0 Guimarães
Vencedor da semana
Peçanha (Marítimo): o guarda-redes brasileiro já tinha deixado boas impressões durante a passagem pelo Paços de Ferreira (2005-08), e no regresso a Portugal para representar o Marítimo, voltou a ser decisivo. A juntar a uma série de defesas de qualidade, Peçanha defendeu uma grande penalidade de Óscar Cardozo.
Perdedor da semana
Hulk (FC Porto): depois de parecer estar mais maduro durante a pré-época, no primeiro teste no campeonato o avançado mostrou-se irritadiço com as disputas de bola mais ríspidas por parte dos pacenses. No primeiro tempo viu um amarelo quiçá infeliz, mas aos dez minutos da segunda parte, uma tesoura mais que desnecessária sobre Danielson levou-o aos balneários mais cedo.
Dr. Jeckyll e Mr. Hyde
João Aurélio, médio do Nacional, é o mais recente exemplo do jogador bipolar. Depois de marcar pela sua equipa, fez o mesmo na própria baliza, roubando dois dos três pontos que podia oferecer aos insulares.
A paradinha
Alonso protagonizou a melhor paradinha da história do futebol na visita à Luz, metendo Simão num bolso. O reforço do Marítimo correu para a bola e deteve-se antes de chutar, de perna ao dependuro, enquanto via Quim atirar-se para a esquerda, concluindo depois o remate para o outro lado, já com o mesmo Quim de braço no ar a gritar “ele não pode!”.
Para a próxima
A bola volta a rolar no próximo fim-de-semana. O Sporting recebe o Braga e o FC Porto bate-se com o Nacional, também em casa; o Benfica, por seu turno, tem uma visita ao berço para defrontar o Guimarães, numa jornada que inclui o jogo entre os recém-promovidos Olhanense e Leiria, e um interessante Marítimo-Leixões.
Todos têm muito a provar, e, reconheça-se, é difícil fazer pior que no arranque.
Apito final
Se fosse hoje, os Nirvana cantariam “smells like pre-season”.
Etiquetas: Liga Sagres 2009/10

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home